Skins, Robux e V-Bucks: o que os games podem ensinar sobre finanças

Mais de 3 bilhões de pessoas ao redor do mundo participam de algum tipo de jogo online, segundo estimativas da consultoria DFC Intelligence. Nos Estados Unidos, uma fatia considerável dos jogadores são menores de idade. De acordo com os dados mais recentes da Associação de Software de Entretenimento (ESA, em inglês), de 2024, cerca de 82% dos americanos com menos de 18 anos de idade jogavam videogames ao menos uma vez por semana.
Se você tem filho ou filha adolescente, com certeza já ouviu falar em games como Minecraft, Fortnite e Roblox. Esses games, febre no mundo inteiro, são diferentes entre si, mas possuem algo em comum: a existência de moedas que podem ser utilizadas para diversos fins dentro do universo próprio dos jogos. No Minecraft, por exemplo, essa moeda é chamada de Skin; no Fortnite, é a V-Buck; no Roblox, são as Robux.
Essas “moedas de mentira”, conhecidas ainda como token, podem ser compradas com dinheiro real pelos jogadores, mas também podem ser acumuladas sem a necessidade de gastar dinheiro, apenas com o cumprimento de missões. Com elas, o jogador pode comprar de itens necessários para evoluir em diferentes etapas dos jogos, itens estéticos, habilidades especiais e diversos outros elementos.
Os jogos podem ser aliados da educação financeira?
E aqui vai uma boa notícia: especialistas em educação financeira observam que esse contato com moedas, ainda que sejam de mentira, pode ser um aliado no desenvolvimento de várias habilidades de finanças pessoais por parte das crianças e adolescentes enquanto se divertem no universo dos games.
“É importante entender que esse tipo de jogo simula uma economia, com receitas, despesas e até decisões de investimento. Se bem orientados, os jogadores podem ter nesses elementos ótimas oportunidades de aprendizado”, afirma Arethuza Zero, doutora em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp e criadora da plataforma EducaFinanceira.
O que os games podem ensinar?
Os jogos podem ajudar a introduzir ensinamentos importantes sobre dinheiro para as crianças e adolescentes. Um deles diz respeito à tomada de decisões. Afinal, o que fazer com os Skins, V-Bucks ou Robux acumulados no jogo? Onde e como gastar essas moedas?
“Na frente da tela, o jogador pode ser levado à situação de ter que decidir se vai gastar agora com um item especial ou guardar para comprar algo maior depois. Isso é uma forma divertida de aprender sobre planejamento, poupança e até investimento”, explica Arethuza.
Para a economista e planejadora financeira Paula Sauer, que coordena o Laboratório de Inteligência Financeira da ESPM, o acúmulo de situações em que as crianças e adolescentes lidam com processos decisórios nos jogos pode ser importante para construir uma boa relação com as finanças.
“Quanto mais a gente treinar isso e tiver mais vivências com processos decisórios, mais rica será nossa experiência quando tivermos que lidar com situações para valer, onde haverá riscos de oportunidade grandes”, comenta Sauer.
Há também outro conceito importante que pode ser ensinado: o da escassez. Isso pode acontecer, por exemplo, quando o jogador tem uma quantidade limitada de moedas e precisa decidir como usá-las. “Aí ela começa a exercitar a ideia de prioridades: vale comprar aquele item agora ou guardar o que ganhou para algo mais valioso depois? Isso já envolve conceitos como orçamento e planejamento”, comenta a educadora financeira Arethuza Zero.
Alguns jogos que utilizam as chamadas “loot boxes”, ou caixas-surpresa, como é o caso dos três citados anteriormente, ajudam a introduzir outro conceito importante: a perda. Isso porque, muitas vezes, o jogador investirá determinada quantia numa caixa que poderá trazer itens aleatórios. Pode ser que o investimento gere um retorno bem favorável, mas pode ser também que a caixa venha com pouca coisa ou até mesmo vazia.
“Isso é uma forma lúdica de aprender sobre risco e recompensa, algo muito presente nas finanças da vida real”, aponta Arethuza.
Qual é o papel dos pais nesse aprendizado?
Os pais e responsáveis são fundamentais para acompanhar os filhos no processo de educação financeira. Com os jogos não é diferente, como aponta a especialista.
“Conversar com os filhos sobre o uso das moedas nos jogos, fazendo perguntas como: ‘Você acha que vale gastar com isso agora?’ ou ‘será que não é melhor economizar para algo mais importante?’. Isso estimula o pensamento crítico”, afirma Arethuza.
Ela também acrescenta, como dicas aos pais, a importância de limitar o uso de dinheiro de verdade nos jogos e acompanhar os filhos nesse universo dos games quando for possível, demonstrando interesse a fim de facilitar o diálogo.
Para Paula Sauer, os pais que querem utilizar os jogos como ferramenta de educação financeira podem até mesmo se aventurar nesse universo junto com os filhos, mostrando a eles por meio do exemplo como se portar em determinadas situações.
“A gente aprende muito mais pela observação do que pelo ensinamento, então muitas vezes o que os pais fazem vai ser muito mais marcante e interiorizado pelo jovem ou pela criança”, afirma a especialista, acrescentando que tanto a parte lúdica dos jogos quanto o afeto familiar do acompanhamento dos pais e responsáveis podem ser um diferencial e tanto nessa tarefa.
“Ao aprender com uma atividade lúdica e com afeto, o processo fica muito mais rico e a criança ou jovem vai fixar muito melhor os ensinamentos”, aconselha.
FONTE: https://investalk.bb.com.br/noticias/quero-aprender/skins-robux-e-v-bucks-o-que-os-games-podem-ensinar-sobre-financas
