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Banco Central mantém Selic em 15% ao ano e indica corte de juros em março

  • Posted by Arethuza Helena Zero
  • Date 28/01/2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (28) manter a Selic, taxa básica de juro, em 15% ao ano, em sua primeira reunião de 2026. Assim, a Selic segue em seu maior nível em quase 20 anos, desde julho de 2006. A decisão foi em linha com o esperado pelo mercado.

Apesar da manutenção em decisão unânime de sua diretoria, o Comitê indicou que iniciará um ciclo de corte de juros em março.

“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC em comunicado.

A autarquia enfatizou que o compromisso com a meta impõe serenidade em relação ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento do alvo para a inflação no horizonte relevante da política monetária.

O BC melhorou nesta quarta sua projeção de inflação para 2026 em relação a dezembro, de 3,5% para 3,4%, considerando o cenário de referência, que segue projeções de mercado para os juros. No entanto, em relação ao terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, a expectativa foi mantida em 3,2%.

Para fazer as projeções do cenário de referência, o Copom considerou uma taxa de câmbio que parte de R$5,35, mesmo patamar usado na reunião de dezembro.

A reunião deste mês do Copom foi realizada por apenas sete dos nove membros, após a saída de Diogo Guillen da diretoria de Política Econômica e de Renato Gomes da diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, que tiveram mandatos encerrados em dezembro. O governo ainda não indicou novos nomes para os cargos.

A decisão desta quarta veio em linha com a expectativa de mercado captada em pesquisa da Reuters, na qual 32 dos 35 economistas entrevistados projetavam que o BC manteria a Selic em 15% neste mês.

A última reunião aconteceu em dezembro, quando o Copom decidiu manter a taxa em 15%. Essa foi a quinta reunião consecutiva em que o BC optou pela estabilidade dos juros básicos da economia brasileira.

 

Confira o comunicado da decisão na íntegra:

O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência.

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.

O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

FONTE: https://www.infomoney.com.br/

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Tag:15%, Banco Central, Comitê de Política Monetária (Copom), Economia, Educação Financeira, Governo, reunião, SELIC, taxa de juros

Arethuza Helena Zero

Arethuza Helena Zero Cientista Social e Pedagoga, com Doutorado em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da UNICAMP, Mestrado em História Econômica (IE- UNICAMP), é autora de artigos e livros sobre educação financeira. Ministra cursos, workshops e palestras sobre o tema Educação Financeira para crianças, adolescentes, pais e educadores.

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