IPTU, IPVA e material escolar: já sabe como organizar as finanças de início de ano?

A chegada de janeiro traz consigo despesas que todo brasileiro conhece, mas que ainda surpreendem pela dificuldade de encaixá-las no orçamento. São impostos, como o IPVA e o IPTU, além daquela ‘listinha’ de material escolar, por exemplo. Isso tudo forma uma combinação que exige planejamento e organização para ser administrada sem sustos.
Uma boa estratégia é tratar essas contas não como surpresas, mas como compromissos previsíveis. Quando nos estruturamos com antecedência, evitamos o ciclo de empréstimos emergenciais e os juros altos que algumas famílias enfrentam logo no comecinho do ano – para pagar, inclusive, a ceia e os presentes de Natal.
O 13º salário pode ser uma ferramenta importante para manter as contas em dia. Segundo Henrique Castro, professor de finanças da FGV, esse valor extra deve ser usado para organizar as finanças sempre que possível.
A recomendação é a de que se a pessoa possui dívidas caras, como cartão de crédito em atraso ou cheque especial, essas devem ser priorizadas. Nesse caso, a dica é usar o valor extra para quitar essas obrigações o mais rápido possível, evitando que juros aumentem ainda mais os débitos.
Se a situação não envolve dívidas ou mesmo se as contas já estão sob controle, o valor pode ser reservado para as obrigações do início do ano. “Existe uma armadilha em relação a esse salário extra. As pessoas costumam gastar o 13º com as comemorações de Natal e Ano Novo, e chegam a janeiro sem planejamento de recursos dessas despesas fixas anuais”, analisa Castro.
IPTU e IPVA: a escolha entre pagar à vista ou parcelar
Uma dúvida comum surge quando falamos de IPTU e IPVA: vale a pena pagar à vista pelo desconto ou é melhor parcelar? A resposta depende da realidade de cada um, mas alguns números podem ajudar na decisão.
Em São Paulo, por exemplo, há um desconto de 3% para quem resolve fazer o pagamento desses impostos à vista. Parece pouco, mas esse valor pode fazer diferença em um orçamento apertado.
Uma forma de avaliar se o desconto é pertinente é compará-lo com o rendimento potencial do dinheiro se ele fosse investido. Descontos acima de 5% geralmente compensam o pagamento à vista. Na casa dos 3%, é uma decisão neutra. Abaixo disso, o parcelamento tende a ser mais vantajoso.
Para quem tem dificuldade em organização financeira, pagar à vista pode ser uma forma de quitar a dívida e evitar tentações.
Outra recomendação importante é evitar pagar esses tributos no cartão de crédito. Os juros podem chegar a 400% ao ano, enquanto a multa por atraso do IPTU não passa de 20% ao ano.
Um ponto que vale ser ressaltado, segundo a head de educação financeira da Educafinanceira, Arethuza Zero, é que a reserva de emergência não deve ser usada para cobrir despesas como IPVA e IPTU, porque isso indica um problema claro de organização.
“Esses custos, que chegam sempre no mesmo período e devem estar previstos em um planejamento anual, com uma reserva específica para despesas sazonais”, diz a educadora.
Material escolar: economizando de forma inteligente
A listinha de material escolar é um gasto indispensável, mas há estratégias que podem aliviar o bolso. Uma delas é a antecipação. Como as escolas costumam liberar o que os alunos irão precisar para aquele ano com antecedência, é possível comprar antes da alta de preços que se acentua no começo das aulas, em fevereiro. Organizar grupos de compra com outros pais para negociar no atacado também é uma opção válida.
Além disso, é possível buscar alternativas para reduzir gastos: criar grupos de troca de materiais entre amigos e família ou buscar livros didáticos em sebos, que hoje oferecem uma gama de variedades e produtos em bom estado.
Itens não consumíveis, como réguas, tesouras e estojo, podem durar anos e ser reutilizados. Essa prática, além de gerar economia, pode ser uma oportunidade para ensinar sobre consumo consciente para as crianças.
Buscar programas de pontos e cashback que podem ser usados para abater parte das despesas também é uma boa opção. Além disso, a escola pode oferecer margem para negociação, seja na matrícula ou nas mensalidades, especialmente quando se trata de alunos antigos ou de famílias com mais de uma criança cursando a mesma instituição.
“No fim das contas, a economia começa simplesmente ao não aceitar o primeiro valor apresentado e ao comparar opções antes de fechar a compra”, diz Arethuza.
Seguros: a renovação que pode sair cara
Outro gasto que pode surgir nessa época é a renovação de seguros. “A recomendação é nunca renove automaticamente. Sempre peça novas cotações de outras seguradoras, pois é comum encontrar preços menores. Na comparação, avalie não apenas o valor, mas também os serviços que estão inclusos. Muitas vezes, pagamos mais por assistências que não utilizamos”, aconselha Castro, da FGV.
A regra é pesquisar sempre para garantir a melhor relação entre custo e benefício para necessidades que realmente façam sentido na sua rotina.
O importante nesse período é diminuir o peso dos gastos. “Um planejamento financeiro que seja pensado em ciclo anual, e não apenas mês a mês, como um ‘Fundo de Janeiro’, pode ser uma opção para reservar um valor pequeno ao longo de todo o ano para cobrir essas despesas previsíveis”, aconselha Arethuza.
FONTE: https://investalk.bb.com.br/noticias/economia/iptu-ipva-e-material-escolar-ja-sabe-como-organizar-as-financas-de-inicio-de-ano
